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No caso de Jéssica, sua professora teve a sensibilidade de perceber seu talento e a inscreveu para a prova seletiva. Inscrita, a menina passou a treinar todas as tardes, na própria escola onde cursa o 8º ano, EM Ronaldo Lameira. Depois de apenas um mês de treino, ela participou da seleção e foi aprovada. “Descobri que gosto disso. Quero treinar para sempre”, afirma a estudante. Sua mãe, Laura Alves da Silva, já percebe a diferença. “Depois que ela passou a treinar diariamente com o objetivo de participar das Paraolimpíadas, ficou mais determinada, feliz e confiante”.

 

Para orientar os professores a lidar com alunos deficientes durante as atividades esportivas, estimulando o desenvolvimento de seu potencial, a rede conta com a professora de Educação Física da Divisão de Educação Especial, Sílvia Quaranta. “Eu ensino como explorar o potencial que o aluno tem e como incluí-lo nas atividades esportivas. Muitas vezes, com pequenas adaptações, conseguimos levá-lo a participar com os outros”, explica.

Segundo ela, o esporte contribui muito para a melhora da autoestima, refletindo em outras áreas. “Se eles se consideram capazes, vão se desenvolver, vão ousar dentro daquilo que podem, saindo da situação de comodismo e
deixando de se acharem coitadinhos. Trabalhamos para que eles percebam que podem, conseguem, são capazes”.

 

A especialista também afirma que situações como essas, em que o aluno fica longe da família, são muito saudáveis, pois contribuem para o desenvolvimento da independência. “A maioria dos alunos está longe da família pela primeira vez. Além aprenderem a ter mais autonomia, isso os força a se relacionar com outras pessoas, criando novas amizades”, comenta.

É o caso de Franklin dos Santos Alves, 16 anos, que tem paralisia cerebral e já garantiu medalha nessas Paraolimpíadas, no tênis de mesa. Sua participação está sendo um desafio também para sua mãe, Maria Marilene dos Santos. “Estou com o coração apertado por ficar
uma semana longe dele. Tive até que passar por psicóloga, pois não aceitava isso, mas ela me explicou que era melhor pra ele e eu acabei deixando-o participar”.

O professor de Franklin, Ricardo Tavares, o elogia por sua determinação e vontade. “Franklin não poderia participar das aulas de Educação Física, pois tinha fisioterapia no mesmo horário. Ele tinha direito de ser dispensado, mas fez questão de participar e nós demos um jeito de mudar seu horário de aula”, conta o professor. O Franklin é um dos muitos casos de crianças especiais que se desenvolvem melhor na parte física que
na intelectual. “Ele é ativo, não tem preguiça e tem um desempenho melhor que o de muitas outras crianças”, diz o professor.

Alunos - Além de Franklin e Jéssica, os alunos Bruno dos Santos Miranda e Caroline Oliveira Silva disputam com o Goal Baal (modalidade específica para deficientes visuais), os estudantes Vinícius Ramirez, Luiz Henrique Ramirez, Paulo Barbosa e Jéssica Chilote competem na natação,
Letícia Catarino Ribeiro, Luiz Aparecido Vicente e Rafael Oliveira disputam no vôlei sentado, e Luiz Gustavo Fogaça compete com o tênis em cadeira de rodas.

EventoMaior competição do mundo nessa faixa etária, as Paraolimpíadas Escolares 2010 contam com mais de 800 atletas de 14 a 21 anos, de 21 estados mais o Distrito Federal. Os atletas competem em dez modalidades: atletismo, natação, futebol de 5 para cegos, futebol de 7 para paralisados cerebrais, judô, goalball, bocha e tênis de mesa, tênis em cadeira de rodas e voleibol sentado. O evento, que ocorre de 7 a 10 de setembro, visa revelar novos valores e possíveis atletas para representar o Brasil nos Jogos de 2016.

A rede municipal de Praia Grande está sendo representada por 12 alunos. Eles estão hospedados no Hotel Holiday Inn, acompanhados de professores e do chefe da Divisão de Esporte nas Escolas, Carlos Leonardo da Silva, da Coordenadoria de Esportes, Cultura e Educação Complementar da Secretaria de Educação.

 

Esses estudantes foram aprovados em seletivas feitas pela Comissão Paraolímpica Brasileira no mês passado. A maioria nunca participou de nenhum evento competitivo. É o caso de Jéssica Alves da Silva, 16 anos, que compete no tênis de mesa e ganhou sua primeira medalha. Portadora de deficiência intelectual, Jéssica praticava o esporte na escola, por pura diversão, até ser “descoberta” por sua professora e indicada para participar da seletiva. “É aí que entra a importância de termos professores sensíveis, com olhar diferenciado, que ofereçam vários tipos de esportes nas aulas de Educação Física e percebam o potencial dos alunos pra essa ou aquela modalidade, passando entusiasmo pra eles”, explica a assistente técnica pedagógica (ATP) de inclusão, Ana Cláudia Rosendo Carls.

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Alunos de PG se destacam na Paraolimpíada

Doze estudantes da rede municipal participam do evento esportivo

A inclusão social de alunos portadores necessidades especiais é uma realidade na rede municipal de ensino de Praia Grande, não apenas na sala, mas também nas quadras escolares. Misturados aos outros estudantes, durante a educação física, os estudantes participam de diversas brincadeiras e atividades esportivas. No bate-bola descontraído, alguns potenciais são descobertos, talentos são revelados e o esporte se torna uma ferramenta para o desenvolvimento da autoestima e autonomia na vida dessas crianças e adolescentes.

Alguns desses alunos estão vivendo dias especiais nesta semana. Eles participam, até esta sexta-feira (10), em São Paulo, das Paraolimpíadas Escolares 2010, competindo com estudantes de
todo o Brasil, em modalidades como natação, tênis de mesa, tênis em cadeira de rodas, vôlei sentado e goal ball (para deficientes visuais). Maior competição do mundo nessa faixa etária, o evento revelará talentos para as Paraolimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.

Estudantes da rede municipal participam do evento esportivo